
Março Amarelo: Mês Mundial da Conscientização da Endometriose
Março é mês em que os olhos do mundo se voltam para a conscientização da endometriose. Essa doença, apesar de ainda ter origens obscuras, pode apresentar sintomas expressivos, como dor incapacitante e infertilidade.

Plano B: inseminação artificial para solteiras e mães solo
O seu maior sonho é ser mãe, contudo ainda não encontrou um parceiro para compartilhar essa responsabilidade? Você quer encarar o desafio de ser mãe solo? Então, saiba que a produção independente pode ser a melhor alternativa.

FSH: O que é e como age no ciclo menstrual
Quem não é da área, geralmente, sabe apenas que as mulheres menstruam uma vez por mês e, quando esse processo não acontece, é sinal de uma possível gravidez. Em linhas gerais, é realmente isso o que acontece, mas, ao esmiuçarmos esse fenômeno mensal, vemos que há muitos fatores envolvidos. E um deles está relacionado à produção de hormônios. Vamos conhecer melhor?

Gravidez com óvulos doados. Quem determina as características do bebê?
É comum ouvir no consultório médico a seguinte pergunta das pacientes quando o assunto é a recepção de óvulos doados: “O bebê terá alguma característica minha?”
Para responder a essa pergunta é preciso levar em consideração as condições genéticas, as condições epigenéticas, além da ativação ou desativação dos genes. Mas, em resumo, é possível dizer que, para garantir a compatibilidade com a receptora dos óvulos, as características físicas da doadora, tais como altura, peso, cor do cabelo, cor dos olhos e raça, são preservadas.
Isso porque o objetivo é que a doadora seja bastante parecida com a receptora. Para isso, o tipo sanguíneo também deve ser o mesmo, até para evitar dúvidas na cabeça da criança gerada, deixando a mãe livre para decidir contar ou não sobre a origem do óvulo usado na fertilização.
Mas o que mais determina as características do bebê?
Condições genéticas
Além do que mencionamos, é preciso entender que temos, em nosso código genético, popularmente conhecido como DNA, as características herdadas pelos nossos pais.
Contudo, você sabia que a semelhança entre todos os seres humanos é assustadora? Pois bem, saiba que aproximadamente 99,9% do DNA de todas as pessoas do mundo é igualzinho!
Mesmo assim, conseguimos ver as diferenças que ocorrem, principalmente, em famílias maiores, com muitos filhos. Nelas, existem irmãos que não são tão parecidos uns com os outros e que também se diferem dos seus pais.
Somando-se a isso, há, ainda, as características externas ao DNA, que são essenciais para a formação do novo bebê que está sendo gerado.
Condições epigenéticas
A palavra “epigenética” vem do grego epi = além de + genética, ou seja, o termo significa “além da genética”. Isso quer dizer que nós somos também resultado do meio em que vivemos.
Além disso, pesquisadores publicaram um conteúdo onde se comprovou que a receptora dos óvulos poderia mudar a genética do óvulo implantado, mesmo que ele tenha vindo de outra pessoa. Isso nos mostra que realmente existe uma ligação entre a grávida e o embrião.
Os estudiosos concluíram também que estruturas das células da grávida atuaram no epitélio endometrial, modificando esse tecido. Tais alterações foram transportadas para o líquido endometrial, que, por sua vez, foi modificado e recebido pelo embrião, alterando seu desenvolvimento. Essa comunicação é responsável pela maneira como os genes são ativados ou desativados no novo bebê.
Ativação ou desativação dos genes
Por fim, vale destacar que o útero da mulher atua na ativação ou desativação dos genes que levamos conosco. As características do bebê também levam em consideração o amor dispensado, o afeto, o tipo de alimentação da mãe, quais medicamentos foram usados, as condições às quais a grávida se submeteu, as emoções vividas etc.
Os genes que todo o embrião carrega, cuja definição se serão expressos ou não, iniciaram na formação dos gametas masculino e feminino, prosseguiram na fertilização e foram determinados em nossa gestação nas primeiras semanas de vida.
Podemos concluir, portanto, que a receptora determina como será o seu filho, não sendo passiva nesse processo.

Brasil lidera ranking em reprodução assistida entre os países latino-americanos
Sabemos que quando as dificuldades para engravidar batem à porta, o casal começa a procurar respostas e soluções para o problema. Esse processo envolve exames médicos e tratamentos específicos para cada situação, incluindo alternativas como a indução da ovulação ou métodos de reprodução assistida, que são cada vez mais comuns no Brasil.
Tão comuns que, segundo dados divulgados em 2019 pela Rede Latino-Americana de Reprodução Assistida (REDLARA), o nosso país lidera o ranking em reprodução assistida entre os países latino-americanos.
Brasil está no topo do ranking em reprodução assistida
É isso mesmo. Os dados mostram que o Brasil foi o país que mais realizou os procedimentos de fertilização in vitro (FIV), inseminação artificial e transferência de embriões em quase três décadas. Ao todo, foram 83 mil nenéns brasileiros que nasceram, em 25 anos, por meio de tratamentos de reprodução humana. O segundo lugar do ranking ficou com a Argentina, com 39.666 bebês nascidos, seguida pelo México, com 31.903.
O alto índice brasileiro evidencia que, além de sermos o país mais populoso da região, ainda detemos o maior número de centros de reprodução assistida, cerca de 40% do total.
Fertilização in vitro e inseminação artificial são os procedimentos mais realizados
O estudo também pontuou que a fertilização in vitro e a inseminação artificial estão entre as técnicas mais realizadas nos pacientes, correspondendo a 53% do total. A transferência de embriões corresponde a 32% dos procedimentos.
Mudança de perfil dos brasileiros
O levantamento notou certa mudança de postura dos brasileiros. Em 2000, por exemplo, as mulheres com idade inferior a 34 anos eram as responsáveis por realizar metade dos tratamentos. Porém, em 2016, o número caiu para 28%.
Na mesma época, o tratamento foi mais procurado pelas mulheres com idade superior a 40 anos. O índice, que era de 14,9%, conseguiu atingir, em 2016, 31%, mais do que o dobro.
E a tendência continua. É cada vez mais comum as clínicas de reprodução humana receberem mulheres mais maduras. Isso acontece devido a vários fatores, mas, principalmente, ao fato de elas adiarem a maternidade para priorizar a carreira. Na verdade, essa é uma realidade mundial e não somente do Brasil ou da América Latina.
Por fim, os médicos da área salientam os benefícios proporcionados pela reprodução assistida, mas não deixam de trazer à tona a relação entre fertilidade e idade, além da importância de otimizar a concepção natural.

O que as mulheres realmente precisam para serem saudáveis
Afinal, o que a mulher deve fazer para ser saudável? Com tantas orientações na mídia e a grande quantidade de informações falsas que circulam nas redes sociais, pode ser difícil para as mulheres entender quais medidas são realmente importantes para manter a saúde em dia.
Especialmente para quem planeja ter filhos no futuro ou já está tentando engravidar, cuidar da saúde é fundamental. Infelizmente, muitas mulheres não sabem que, a longo prazo, determinados hábitos podem acabar prejudicando sua função reprodutiva de maneira direta ou indireta.
De maneira geral, podemos dizer que quanto melhor a saúde de uma mulher, maiores são as chances de conseguir engravidar, naturalmente ou não.
Medidas importantes para preservar a saúde da mulher
Sabemos que, na internet, não faltam dicas simples para melhorar a saúde reprodutiva, a digestão, a respiração… mas a verdade é que para que a mulher seja saudável, o importante mesmo é adotar hábitos consistentes de autocuidado e ficar atenta aos momentos de realizar exames e procurar ajuda médica. Vamos explicar:
Alimentação saudável
“Você é o que você come” é uma frase que tem mesmo um pouco de verdade. Dietas ricas em ultraprocessados, gorduras e carboidratos simples estão associadas a uma série de doenças como diabetes, obesidade, hipertensão e até alguns tipos de câncer.
Para além de prejudicar a saúde como um todo, todas essas doenças podem dificultar as chances de gravidez e ainda aumentar os riscos de uma gestação de risco.
Vale ressaltar, também, que bebida alcoólica em excesso prejudica a saúde como um todo e pode causar alcoolismo. Cigarro, então, causa uma série de problemas, então é melhor não fumar!
Vida ativa
Além de ajudar a controlar o ganho de peso, a prática de atividade física regular contribui para a saúde como um todo. Todas as pessoas devem praticar exercício moderado pelo menos três vezes por semana para prevenir o desenvolvimento de câncer, melhorar o funcionamento cardiovascular e fortalecer a musculatura.
Tudo isso contribui para um envelhecimento com muito mais saúde.
Saúde mental
A saúde mental é tão importante quanto a saúde física e, infelizmente, estamos vivendo numa era em que diversos fatores contribuem para o desenvolvimento de depressão, ansiedade e outros transtornos.
Ter um estilo de vida saudável, controlar as horas de trabalho, uso de redes sociais e manter um círculo de apoio próximo são formas de evitar o desenvolvimento de depressão e ansiedade. Entretanto, nem sempre é possível prevenir esse tipo de transtorno. Por isso, é importante que a mulher fique atenta aos sintomas e procure ajuda. Alguns deles podem ser:
- Mente acelerada
- Palpitação cardíaca
- Desânimo constante
- Sensação de falta de propósito
- Medo irracional
- Mudanças súbitas de humor
- Ganho ou perda de peso rapidamente
- Mudanças na frequência de sono
Ainda existe muito estigma em torno de problemas de saúde mental, o que leva as pessoas a demorar muito para procurar ajuda especializada e iniciar o tratamento adequado. Para as mulheres, que são as mais afetadas por esses transtornos, isso pode significar muitos anos de sofrimento e sensação de isolamento da família e dos amigos.
Sexualidade e contraceptivos
A sexualidade é um aspecto muito importante da vida adulta e da saúde como um todo. Ela promove intimidade com o próprio corpo e com o(a) parceiro(a)!
Na nossa sociedade, a sexualidade feminina ainda é um tabu, motivo pelo qual muitas mulheres escondem suas dúvidas a respeito do assunto e algumas passam muitos anos sem sequer sentir prazer nas relações sexuais.
Para além disso, os métodos contraceptivos também são importantes para as mulheres que vão se relacionar com pessoas do sexo masculino. Afinal, o ideal é que a gravidez seja planejada para acontecer no melhor momento possível!
Hoje, existem uma série de métodos disponíveis na rede pública e particular de saúde, como a pílula anticoncepcional, preservativo feminino e masculino, implante, diafragma, injeção hormonal mensal e trimestral, DIU hormonal e o DIU não hormonal. Cada um deles tem vantagens e desvantagens e é importante que a mulher faça a sua escolha de maneira informada!
Lembrando, é claro, que o único método contraceptivo que previne contra IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis) é a camisinha. Vale realizar testes regularmente e, é claro, procurar ajuda médica caso notar algo diferente na vulva ou vagina!
Rastreamento do câncer
O câncer de mama ainda é o tumor que mais acomete as mulheres, mas o câncer de colo do útero e o câncer colorretal ainda são comuns no sexo feminino. Todos esses tumores são rastreáveis por meio de exames periódicos que devem ser realizados a partir de determinada idade.
Algumas mulheres têm predisposição a desenvolver câncer. Se você tem casos de câncer de mama, intestino ou útero na família, é importante buscar acompanhamento médico para iniciar o rastreamento antes.
Vacinas em dia
Vacina não é só coisa de criança e adolescente! Mulheres adultas também devem ser vacinadas contra hepatite B, pneumonia, febre amarela, gripe, HPV, tríplice bacteriana e, agora, a vacina contra Covid-19 (já disponível para gestantes e puérperas).
Se você tem dúvidas se já tomou todas as vacinas importantes, leve seu cartão de vacinas até um posto de saúde para checar!
Seguindo essas orientações, a maioria das mulheres será capaz de levar uma vida saudável e preservar a fertilidade. A saúde é o nosso bem mais precioso, então tome as rédeas da sua vida e cuide do seu corpo, buscando ajuda médica sempre que for necessário!

Tudo sobre FIV em pacientes soropositivas
Cerca de 80% das pessoas soropositivas estão em idade reprodutiva. Com os avanços na expectativa de vida e qualidade de vida desses pacientes, cada vez mais mulheres HIV positivas desejam formar uma família biológica.
Cuidar de pacientes soropositivas que querem engravidar requer uma abordagem multidisciplinar que envolve, muitas vezes, a reprodução humana assistida, especialmente se o casal for sorodiscordante (uma das pessoas é soropositiva e a outra não).
Reprodução humana assistida em pacientes soropositivos
Vale ressaltar, também, que a população soropositiva possui maiores taxas de infertilidade em relação à população geral, fazendo dos tratamentos de fertilidade uma necessidade, em muitos casos.
Em casais sorodiscordantes em que o homem está infectado, a reprodução humana assistida é a melhor forma de prevenir a transmissão do vírus do HIV.
Depois de um processo que chamamos de lavado do espermático, é possível realizar tanto uma inseminação intrauterina quanto uma Fertilização In Vitro. A escolha entre esses métodos será feita de acordo com a avaliação de fertilidade do casal.
Já em casais sorodiscordantes em que a mulher é soropositiva, a gravidez é possível com inseminação intra-uterina ou fertilização in vitro, dependendo
Entretanto, se após seis ciclos de tentativa ou se a paciente tiver algum problema de fertilidade, é melhor procurar a reprodução humana assistida.
Impactos no sucesso da FIV em mulheres soropositivas
Nesse sentido, alguns fatores podem influenciar os resultados da FIV em pacientes soropositivas, como a idade da mulher, sua reserva ovariana, raça, Índice de Massa Corporal (IMC), tabagismo e doenças tubárias preexistentes.
Assim como para a população feminina em geral, a fertilidade de mulheres soropositivas começa a declinar por volta dos 30 anos, e o processo é significativamente acelerado em torno dos 35 anos.
Como consequência, a taxa de sucesso da FIV nessas pacientes pode ser menor, tanto pela diminuição da reserva ovariana quanto pela queda na qualidade dos óvulos.
Até o momento, não foi comprovado que a infecção HIV pode prejudicar a reserva ovariana feminina, mas existe a teoria de que a terapia antirretroviral pode ter uma influência.
Alguns efeitos colaterais dos medicamentos, como disfunção mitocondrial, alterações metabólicas e resistência à insulina podem ter influências nos processos ovulatórios.
Em relação à raça, muitos estudos encontraram diferenças nos índices de sucesso da reprodução humana assistida, com maiores taxas de infertilidade entre mulheres negras. Entre os problemas reportados, estavam problemas tubários, uterinos e maiores taxas de perda gestacional.
O sobrepeso e obesidade entre pessoas HIV positivas têm aumentado nos últimos 20 anos, o que pode estar relacionado ao aumento da expectativa e qualidade de vida.
Isso porque, com a adoção de uma vida cada vez mais normal, esses indivíduos tendem a acompanhar a tendência mundial da população em geral.
Muitos estudos demonstraram que o tabagismo é significativamente prevalente entre pessoas soropositivas, e muitas outras pesquisas mostraram que fumar traz consequências negativas para o tratamento de fertilidade e sucesso na fertilização, implantação e desenvolvimento da placenta.
Já as doenças tubárias são prevalentes entre mulheres soropositivas de acordo com diversos estudos, entretanto, muitos deles são datados anteriormente a tratamentos importantes durante a reprodução humana assistida. O histórico de doença inflamatória pélvica também precisa ser levado em conta.
Com todas essas questões envolvidas, ainda não é claro se pacientes soropositivas possuem mais dificuldades na FIV do que a população em geral.
Podemos afirmar o mesmo a respeito da estimulação ovariana, levando à conclusão de que cada paciente é única e as chances de sucesso devem ser avaliadas levando em conta os múltiplos fatores que podem impactar a reprodução humana assistida.
Leia mais:
Doença inflamatória pélvica pode prejudicar as chances de gravidez em até 29%
Método ROPA possibilita que mulheres em união homoafetiva tenham papel ativo na maternidade
Reprodução humana assistida para casais sorodiscordantes

Como é viver com a endometriose?
Estima-se que mais de 70 milhões de mulheres no mundo todo sejam portadoras de endometriose. Essa doença se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora do útero, o que pode causar sintomas muito dolorosos e outros problemas como dificuldade de engravidar.
Infelizmente, a endometriose não tem cura garantida. Algumas medidas podem atenuar os sintomas e, em alguns casos, uma cirurgia laparoscópica pode ser uma aliada. Entretanto, nem mesmo essa intervenção cirúrgica impede que o tecido endometrial continue a se desenvolver fora da cavidade uterina.
Por esse motivo, as portadoras de endometriose não têm outra opção além de conviver com a doença, que pode ser leve, moderada ou severa, com variação nos sintomas que não necessariamente correspondem à gravidade da doença. Alguns deles são:
- Dor intensa na região pélvica, especialmente durante a menstruação
- Sangramento excessivo durante a menstruação
- Dor ao urinar ou defecar
- Diarreia ou prisão de ventre
- Dispareunia ou dor na relação sexual
- Dificuldade para engravidar mesmo em idade reprodutiva
Cada mulher irá experienciar a endometriose de uma maneira, e conhecer a história de algumas delas pode ajudar a entender melhor a doença.
Convivendo com a dor da endometriose
Para Alice, uma das embaixadoras da entidade Endometriosis UK, fortes dores ginecológicas apareceram um ano antes da sua primeira menstruação, quando o desconforto piorou. As dores eram diárias e ela precisava ir ao hospital receber medicação intravenosa a cada menstruação e período ovulatório.
A dor, somada à fadiga (consequência da anemia causada pela perda excessiva de sangue) prejudicou a sua qualidade de vida na adolescência e ela só conseguiu o seu diagnóstico de endometriose depois de passar por uma laparoscopia exploratória.
Alice se sentiu aliviada depois do diagnóstico, já que temia sofrer de “dores sem causa” e que, portanto, não poderiam ser manejadas. Ela iniciou um tratamento para induzir uma menopausa artificial que pode ser revertida futuramente, o que melhorou muito sua qualidade de vida.
Depois de lidar com dores diárias por quase três anos, Lyndsey aprendeu técnicas e estratégias para ajudar a manejar a dor, além de praticar exercícios leves e alongamentos.
Mudar o ritmo de vida, a dieta e reduzir o estresse tiveram um efeito positivo na sua recuperação e, agora, ela já é capaz de passar mais tempo com a família e os amigos, bem como fazer planos.
Outra medida que ajudou Lyndsey a enfrentar os impactos psicológicos e emocionais da endometriose foi conhecer outras mulheres em situação parecida. Assim, ela se mantém positiva e ao mesmo tempo aceita que a dor fará parte da sua vida.
Convivendo com a infertilidade causada pela endometriose
A Fernanda havia tratado a Síndrome do Ovário Policístico na adolescência e acreditava que seus sintomas de dor e sangramentos que reapareceram depois de anos de casada eram causados pelo retorno do problema. Enquanto isso, ela e o marido tinham dificuldade de realizar o grande sonho de ter um bebê, passando por muitos alarmes falsos e testes negativos.
Depois de muito desconforto com a hemorragias, Fernanda descobriu a endometriose por uma histeroscopia e histerossalpingografia. Infelizmente, a médica que a diagnosticou disse que ela tinha pouquíssimas chances de gerar um filho, o que foi desolador.
Por conta própria, Fernanda pesquisou sobre a Fertilização In Vitro (FIV) e chegou a marcar a primeira consulta. Como de costume, a clínica solicitou um teste Beta HCG para confirmar que a mulher não está grávida antes de iniciar o tratamento hormonal e ela se surpreendeu com um resultado positivo, depois de anos tentando engravidar.
Durante a cesariana, o médico removeu alguns dos focos de endometriose e iniciou um tratamento que visava preservar seu aparelho reprodutor ao máximo para conseguir engravidar novamente. Depois de um ciclo indutor de ovulação, Fernanda ficou grávida do seu segundo filho.
Krishna também sempre teve cólicas e dores de cabeça fortíssimas no período menstrual, mas só foi se preocupar mesmo com o assunto quando se casou e interrompeu o uso de anticoncepcional, para tentar engravidar. Esperou os doze meses recomendados pelos médicos e nada de ter sucesso. Então, fez novos exames e continuou as tentativas. Ainda assim, o positivo não veio.
Depois de ver na televisão algo sobre ressonância da pelve, pediu ao médico para realizar o exame e, finalmente, teve o diagnóstico: endometriose grau IV. Ela foi encaminhada para cirurgia laparoscópica para eliminar os focos da doença e tentar aumentar as chances de engravidar. Porém, mesmo depois de oito meses de tentativas, nada.
O especialista recomendou a FIV para Krishna e ela passou por muitas tentativas frustradas e troca de medicações até finalmente engravidar de gêmeos, mas teve perda gestacional com 8 semanas. No ano seguinte, tentou mais uma transferência de embriões e mais uma vez ela ficou grávida de gêmeos.
Desta vez, ela perdeu um dos embriões, mas o outro deu certo e já é um bebê saudável. Agora, ela está na fila da adoção para ter mais um filho.
Cada paciente é única!
Essas histórias são de mulheres reais que compartilharam suas experiências com a endometriose no intuito de ajudar outras pessoas que estejam passando pelo mesmo. Frequentemente, a doença pode fazer com que a mulher se sinta isolada e incompreendida, mesmo porque são muitos os casos em que o diagnóstico pode demorar anos para ser conclusivo!
Por fim, nem todas as pacientes lidam com esses problemas. Muitas mulheres não sentem dor mesmo com endometriose, mas enfrentam dificuldades para engravidar. Além disso, nem todas as portadoras de endometriose também lidam com a infertilidade. Cada paciente é única!
Se você tem endometriose ou conhece alguém que precisa conhecer histórias como essas, compartilhe esse texto!
Leia mais:
Doença inflamatória pélvica pode prejudicar as chances de gravidez em até 29%
Método ROPA possibilita que mulheres em união homoafetiva tenham papel ativo na maternidade
Reprodução humana assistida para casais sorodiscordantes

Você não está sozinha: vamos conversar sobre os impactos da infertilidade?
Lidar com a infertilidade traz grandes impactos emocionais e sociais para as mulheres que desejam ser mãe. As tentativas frustradas de conceber naturalmente, muitas vezes seguidas por falhas no tratamento de infertilidade, podem causar sentimentos de desesperança, fracasso e vergonha.
Apesar das dificuldades, essas mulheres persistem no sonho de se tornarem mães biológicas, enfrentando cotidianamente outros problemas gerados, justamente, pela dificuldade de engravidar.
Como esse é um tema delicado e muito íntimo, é comum que as tentantes se sintam sozinhas, compartilhando suas angústias, em alguns casos, em grupos privados nas redes sociais.
Afinal, nem sempre elas encontram no relacionamento, família ou amigos o apoio necessário para passar por essas situações. Justamente por isso, queremos comentar alguns dos dilemas enfrentados por mulheres tentantes, inférteis, numa tentativa de diminuir o estigma em torno do assunto e deixar claro para nossas pacientes que elas não estão sozinhas!
Apoio social e familiar para enfrentar a infertilidade
Compreendendo as dinâmicas do círculo social da tentante, podemos perceber como a presença ou ausência de apoio impacta a sua saúde emocional.
Para as mulheres casadas em relações heterossexuais, o marido pode servir tanto como um apoio durante o tratamento quanto também pode ser gravemente afetado pela própria infertilidade.
Não são raros os casos em que a tentante, além de lidar com sua própria angústia, precisa também apoiar o marido, que pode duvidar da própria masculinidade. Muitos também se frustram com os custos financeiros e sustentam o pensamento de que precisam ser pais de qualquer jeito.
Na relação familiar, muitas tentantes se sentem pressionadas pelos pais e irmãos para ter um filho, enquanto outras percebem que a família já não incentiva as tentativas de gravidez. Muitos familiares sugerem que a tentante desista do sonho de ser mãe, enquanto outros, infelizmente, encaram a mulher de maneira negativa pelas dificuldades em engravidar.
Também não é incomum que os amigos da tentante não compreendam o seu desejo de engravidar mesmo depois de muitas tentativas frustradas. Tudo isso tende a fazer com que a paciente se sinta envergonhada e isolada daqueles que ama.
No trabalho, o grande número de consultas necessárias para a investigação da causa da infertilidade, bem como o tratamento em si pode ser um empecilho. Algumas mulheres, infelizmente, relatam piadas e ironias por parte de superiores e colegas devido ao número de atestados médicos apresentados.
Reforçamos, inclusive, que a infertilidade é reconhecida como enfermidade pela OMS e portanto a paciente tem direito a atestados médicos e sigilo para realizar o tratamento
Sentimento de fracasso, impotência e falta de propósito
Para a maioria dos casais, ter filhos é uma parte fundamental dos planos de vida. Encarar as tentativas frustradas de engravidar e ver esse projeto conjunto não tomar forma, traz grandes impactos tanto para a mulher quanto para a vida conjugal como um todo.
Muitas tentantes se sentem menos mulheres por não conseguirem engravidar ou sentem que a cada tentativa que não dá certo, perderam algo que nunca tiveram. São sentimentos complexos, parecidos com o luto, e que muitas vezes podem ser de difícil compreensão até mesmo para a própria mulher.
A infertilidade também traz dificuldades para os casais, que tendem a passar por períodos difíceis quando a tentativa de gravidez não deu certo. Por um lado, um apoia o outro no momento difícil, por outro, eles podem achar difícil dar espaço à tristeza por sentirem que precisam ser fortes para motivar o (a) companheiro (a).
Além disso, nos casais heterossexuais, o sentimento de cobrança pode acabar afetando a rotina conjugal. O sexo, que antes era um momento de intimidade, conexão e prazer para para o casal, passa a se tornar uma tarefa atrelada a sentimentos como esperança, medo e decepção e falta de propósito.
Além disso, quando o coito é programado, a perda da espontaneidade também tem efeitos sobre a libido e muitos casais sentem que a vida íntima já não é mais tão boa quanto antigamente.
Esperança, apesar de tudo
O processo de reprodução assistida não é capaz de garantir que a mulher irá engravidar. Entretanto, as tecnologias utilizadas estão cada vez mais avançadas e, as chances de sucesso com a Fertilização In Vitro (FIV) maior do que na concepção natural, lembrando que são muitos os fatores envolvidos no sucesso da implantação do embrião.
Para muitas mulheres que passaram por tentativas frustradas, é difícil explicar de onde vem a esperança de que vão conseguir engravidar, e sem dúvidas cada um dos motivos pessoais dessas pacientes são válidos e merecem ser respeitados.
Nesse sentido, é dever da equipe que acompanha o casal ou mulher tentante compreender todas essas questões e acolhê-la dentro do que for possível para que o tratamento de reprodução assistida seja sempre humanizado e empático.
Se você gostou desse texto, deixe um comentário contando a sua história. Com certeza outras mulheres vão se identificar e encontrar, na sua jornada, um pouco de acolhimento!
Leia mais:
Doença inflamatória pélvica pode prejudicar as chances de gravidez em até 29%
Método ROPA possibilita que mulheres em união homoafetiva tenham papel ativo na maternidade
Reprodução humana assistida para casais sorodiscordantes

Doença inflamatória pélvica pode prejudicar as chances de gravidez em até 29%
A Doença Inflamatória Pélvica (DIP) é uma inflamação que, na maioria dos casos, se origina a partir de uma infecção vaginal que progrediu, afetando o útero, as trompas e outras regiões da pelve. Infelizmente, uma em cada quatro mulheres com esse problema vão ter sequelas a longo prazo. Uma delas pode ser a infertilidade.
Causas da doença inflamatória pélvica
A vagina possui uma flora bacteriana natural que protege a região de outros tipos de bactérias ao criar um ecossistema muito específico. Quando o canal vaginal é infectado por bactérias sexualmente transmissíveis, como a clamídia e a gonorreia, essa barreira protetora é derrubada e os demais órgãos do aparelho reprodutor feminino ficam vulneráveis a essa infecção. .
Como nem todas as pessoas que contraem essas doenças desenvolvem DIP, outros fatores de risco estão envolvidos, como já ter tido o problema antes, ter menos de 25 anos, vida sexual ativa com muitos parceiros e não usar preservativo.
O diagnóstico da doença nem sempre é fácil, pois a maioria das pacientes evoluem com sintomassutis. Pouca dor, febre baixa e corrimento discreto, muitas vezes, não levam a mulher a procurar orientação médica. Por isso, estima-se que até 60% dos casos de DIP sejam subclínicos.
Um dado preocupante principalmente se considerarmos que sintomas brandos não indicam que a doença seja inofensiva: esse estado inflamatório pode ter como consequência a lesão das trompas e do útero, o que pode levar à infertilidade.
Infertilidade e doença inflamatória pélvica
Muitas vezes, a DIP é diagnosticada muito tempo depois da infecção aguda, quando a mulher procura ajuda médica porque está tendo dificuldades para engravidar.
Pacientes com danos leves causados pela doença têm 3% de chance de ter problemas de fertilidade no futuro, enquanto danos moderados e graves aumentam os riscos em 13% e 29%, respectivamente.
Essas lesões ocorrem porque a invasão das bactérias podem causar alterações morfológicas nas trompas uterinas, estruturas o óvulo percorre até ser fecundado por um espermatozoide, desde a sua maturação até o útero. Com o bloqueio dessa passagem, os gametas não poderão se encontrar e a gravidez não ocorre.
Em algumas situações, a passagem não fica totalmente bloqueada e o espermatozóide pode encontrar o óvulo nas trompas, o que implica num risco elevado de gravidez ectópica. Nesses casos, infelizmente, não teremos opção a não ser interromper a gestação.
Quando falamos em doença inflamatória pélvica, algumas medidas devem ser adotadas para prevenir a infertilidade: prevenção por meio do uso de preservativos, realização de exames anuais para identificar a presença de ISTs e, caso os sintomas de DIP sejam notados, a paciente deve buscar ajuda médica para tratamento adequado.
Os danos causados pela DIP nas trompas e ovários não são reversíveis. Nesse sentido, a fertilização in vitro pode ajudar pacientes que lidam com a infertilidade como consequência da doença.
Afinal, esse método vai justamente anular a necessidade do óvulo viajar pelo sistema reprodutor feminino, já que é coletado diretamente dos ovários e fertilizado em laboratório. Além disso, a FIV diminui as chances de gravidez ectópica para mulheres que lidaram com a doença inflamatória pélvica.
Inclusive, vale ressaltar que o tratamento para fertilidade só poderá ser realizado depois que a inflamação for tratada adequadamente.
Ficou alguma dúvida sobre esse assunto? Se sim, pode deixar nos comentários!
SAIBA MAIS:
Entenda tudo sobre a Síndrome de Hiperestimulação Ovariana
Histerossalpingografia: o exame que ajuda a avaliar a saúde do útero e das trompas
O que é endométrio fino e como tratar para engravidar
Fertilidade x Doença Renal Crônica