
Como lidar com a ansiedade e o estresse durante um tratamento de reprodução assistida
O processo de reprodução assistida pode ser uma jornada desafiadora, tanto física quanto emocionalmente. Para muitos casais, as dificuldades para engravidar trazem à tona sentimentos de ansiedade, frustração e estresse. Essa reação é compreensível, mas quando esses sentimentos não são controlados, podem afetar não apenas a saúde mental, mas também o sucesso do tratamento.
Neste artigo, vamos explorar como a ansiedade e o estresse impactam o corpo, a mente e a fertilidade, além de oferecer estratégias práticas para lidar com essas emoções durante o tratamento de reprodução assistida.
Por que a ansiedade e o estresse são comuns nesse contexto?
A infertilidade e os tratamentos de reprodução assistida envolvem incertezas, expectativas e, muitas vezes, um alto investimento emocional, financeiro e físico. Essas condições podem gerar:
- Pressão emocional: A sensação de urgência para engravidar e o medo do insucesso podem aumentar os níveis de ansiedade.
- Alterações hormonais: Medicamentos usados nos tratamentos podem intensificar alterações emocionais e o estado de alerta.
- Estigma social: O tabu em torno da infertilidade pode levar à sensação de isolamento ou cobrança por parte da família e amigos.
- Falta de controle: A imprevisibilidade dos resultados pode causar frustração e impotência.
Como o estresse afeta a fertilidade?
Embora o estresse por si só não seja a principal causa de infertilidade, ele pode influenciar negativamente o ciclo menstrual, a ovulação e até mesmo a qualidade dos espermatozoides. O eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que regula os hormônios do estresse, pode interferir nos hormônios reprodutivos, dificultando o sucesso do tratamento.
Além disso, o estresse pode desencadear comportamentos prejudiciais à saúde, como má alimentação, consumo excessivo de álcool ou tabaco e insônia, que podem agravar os desafios da fertilidade.
Estratégias para lidar com ansiedade e estresse durante o tratamento
Embora o tratamento de reprodução assistida seja, em sua essência, um processo técnico e médico, o bem-estar emocional desempenha um papel fundamental no sucesso e na experiência geral. Aqui estão algumas dicas práticas para gerenciar o estresse e a ansiedade:
1. Reconheça e aceite suas emoções
É normal sentir-se ansioso, frustrado ou até mesmo triste em alguns momentos. Reconhecer esses sentimentos sem julgá-los é o primeiro passo para lidar com eles. Tente não reprimir suas emoções; em vez disso, converse com alguém de confiança ou procure ajuda profissional.
2. Informe-se sobre o tratamento
A incerteza é um dos maiores gatilhos de ansiedade. Busque informações claras e confiáveis sobre o seu tratamento. Pergunte ao seu médico sobre cada etapa do processo, os possíveis resultados e as alternativas disponíveis. Quanto mais conhecimento, maior será sua sensação de controle.
3. Pratique técnicas de relaxamento
Técnicas como meditação, respiração consciente e mindfulness são comprovadamente eficazes para reduzir os níveis de ansiedade. Mesmo 10 minutos diários de prática podem fazer uma diferença significativa no seu bem-estar.
4. Mantenha uma rotina saudável
- Alimente-se bem: Priorize uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais e proteínas magras.
- Durma o suficiente: O sono é essencial para a regulação emocional e física.
- Pratique exercícios físicos: Atividades como caminhadas, ioga ou pilates ajudam a liberar endorfinas e diminuir o estresse.
5. Estabeleça limites
Evite sobrecarregar-se com responsabilidades e compromissos que podem aumentar o estresse. Aprenda a dizer “não” e priorize seu bem-estar durante essa fase.
6. Participe de grupos de apoio
Conversar com outras pessoas que estão passando por experiências semelhantes pode ser reconfortante. Compartilhar histórias e ouvir outras perspectivas pode ajudar a reduzir o sentimento de isolamento.
7. Conte com apoio psicológico
A terapia, especialmente com psicólogos especializados em reprodução humana, pode ser uma ferramenta valiosa para lidar com o estresse e a ansiedade. Eles podem ajudar você e seu parceiro a construir resiliência emocional e enfrentar os desafios do tratamento juntos.
8. Foque no presente
Evite gastar energia pensando no que pode dar errado ou em questões do futuro. Praticar a gratidão pelo que você tem no presente e focar em pequenas conquistas pode ajudar a aliviar a tensão.
Como o parceiro pode ajudar?
O apoio mútuo entre os parceiros é essencial para atravessar essa jornada juntos. Aqui estão algumas formas de fortalecer a conexão e o suporte mútuo:
- Comunique-se abertamente: Compartilhe seus sentimentos e ouça o que o outro tem a dizer.
- Pratique empatia: Entenda que cada pessoa processa o estresse de forma diferente.
- Reserve momentos de qualidade: Dedique tempo para atividades relaxantes e prazerosas como casal, fora do contexto do tratamento.
A importância de um olhar integral para a saúde
O tratamento de reprodução assistida é um caminho que envolve tanto o corpo quanto a mente. Lidar com a ansiedade e o estresse de forma saudável pode não apenas melhorar a experiência do tratamento, mas também aumentar as chances de sucesso.
Se você está iniciando ou já está em meio a um tratamento, lembre-se: você não está sozinho. A equipe médica está ao seu lado, e buscar apoio emocional é um ato de cuidado consigo mesmo e com seu parceiro.

Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade: O que é mito e o que é verdade?
Junho é o mês mundial de conscientização da infertilidade, um tema ainda cercado de tabus e mitos que causam ainda mais sofrimento para as pessoas que lidam com o problema.
Muita gente ainda acha que engravidar é um processo simples ou costuma atribuir a causa da infertilidade a hábitos e alimentos que nada têm a ver com esse fenômeno.
Ainda mais na atualidade, em que as notícias falsas circulam rapidamente pelas redes sociais e ofuscam informações científicas, ficou ainda mais difícil compreender as diversas nuances da infertilidade.
Esse é um dos motivos pelos quais campanhas como o Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade são importantes: quem passa por esse problema consegue se informar mais facilmente e as pessoas podem se educar a respeito de uma questão que afeta pelo menos um em cada cinco casais no mundo todo.

O que é gravidez ectópica e quais os riscos de ela acontecer na FIV
Quando uma mulher se submete a um tratamento de fertilidade, muitos medos costumam surgir: medo de não conseguir engravidar, de ter uma perda gestacional ou alguma complicação durante a gravidez.
É muito importante que ao investir em tratamentos como a Fertilização In Vitro, por exemplo, a paciente esteja ciente das possíveis complicações associadas. Uma delas pode ser a gravidez ectópica, caracterizada pela implantação do embrião fora do útero.
Entenda o que é a gravidez ectópica
No processo de gravidez, tendo ela acontecido naturalmente ou por meio da reprodução humana assistida, o óvulo fertilizado se prende ao revestimento do útero para dar continuidade ao desenvolvimento do embrião.
Numa gravidez ectópica ao invés de o embrião se fixar no endométrio, ele acaba sendo implantado em algum lugar fora dele. Em 98% dos casos, o embrião se desenvolve em uma das trompas, estrutura semelhante a um tubo. Nos 2% restantes, a implantação ocorre em outros locais, como ovário, colo do útero ou na cavidade abdominal.
Uma gravidez ectópica é considerada, na grande maioria dos casos, sem futuro. Isso porque o embrião não consegue se desenvolver normalmente fora do útero e, à medida em que cresce, causa danos às estruturas que o rodeiam. Afinal, o útero está preparado para aumentar de tamanho, não as trompas.
Sem tratamento, esse tipo de gravidez pode colocar a vida da mulher em risco.
Os riscos de gravidez ectópica na FIV
Alguns fatores parecem aumentar as chances da mulher ter uma gravidez ectópica, como inflamações ou lesões na região pélvica e tubária, cirurgias no local, falha na ligadura de trompas, episódio prévio de gravidez ectópica e uso de DIU.
No caso das mulheres que realizam tratamentos de fertilidade como a Fertilização in Vitro, as chances dessa complicação acontecer são baixas ao redor de 1,7%.
Muitas pessoas pensam que a FIV pode impedir a gravidez ectópica porque o embrião é transferido cirurgicamente para o útero da mulher. Entretanto, esse embrião pode se deslocar até outra região e, se as trompas estiverem danificadas, pode ser mais difícil para ele voltar ao útero naturalmente, se implantando no local errado.
Tratamento da gravidez ectópica em mulheres com infertilidade
Infelizmente o tratamento para gravidez ectópica é a remoção do embrião e, dependendo do estágio da gravidez, de parte ou da totalidade da trompa onde ele se desenvolveu.
Como falamos, essa é uma gravidez que não só coloca a vida da mulher em risco como também impede que o feto se desenvolva adequadamente. Por isso o embrião deve ser removido com medicamentos que param o seu desenvolvimento ou numa cirurgia, geralmente realizada por via laparoscópica.
Outra questão é a preservação dos ovários durante a cirurgia, caso a mulher ainda tenha um estoque de óvulos viável para continuar o tratamento de infertilidade.
Quando iniciamos o processo de Fertilização in Vitro levamos em conta todos esses fatores e, inclusive, realizamos uma série de exames após a transferência de embriões para ter certeza de que ele se fixou no local apropriado.