
Como os tratamentos de fertilidade afetam trabalho e relações familiares e como lidar com este impacto
Os tratamentos de fertilidade são uma jornada desafiadora, repleta de esperanças, expectativas e, muitas vezes, momentos de incerteza. Não é nenhuma novidade para a ciência que esses processos podem impactar negativamente o bem-estar psicológico e social dos envolvidos. Depressão, ansiedade, estresse e até conflitos no ambiente familiar ou profissional são desafios frequentemente enfrentados pelos casais em busca do sonho de formar uma família.
Agora, um estudo inédito realizado pela Faculdade de Medicina do ABC (FM-ABC), com apoio da Fapesp, trouxe uma nova perspectiva sobre esses impactos, analisando os conflitos entre trabalho e família em pacientes que passam por tratamentos de fertilidade. O estudo, publicado na revista Psychology, Health & Medicine, revelou resultados que podem ajudar profissionais de saúde e casais a enfrentarem esses desafios de maneira mais assertiva.
Os impactos no trabalho e na família
De acordo com a pesquisa, o nível de conflito trabalho-família tende a ser maior entre os homens, enquanto o estresse relacionado ao tratamento afeta predominantemente as mulheres. Esse contraste reflete as diferentes formas como homens e mulheres vivenciam a reprodução assistida e os papéis sociais que, muitas vezes, reforçam desigualdades emocionais durante o processo.
Entre os fatores que podem gerar conflitos estão:
- Ausências frequentes no trabalho: Consultas médicas, exames e procedimentos são constantes durante os tratamentos, o que pode levar a dificuldades em cumprir agendas profissionais e até gerar desconforto com colegas ou empregadores.
- Mudanças na dinâmica familiar: O foco nos tratamentos pode fazer com que outras questões familiares sejam deixadas em segundo plano, o que pode aumentar tensões e frustrações.
- Sobrecarga emocional: A pressão por resultados, combinada com a logística dos tratamentos, pode criar um ambiente de tensão dentro do núcleo familiar.
Esses desafios podem gerar sentimentos como culpa, raiva ou impotência, tornando o processo ainda mais exaustivo para o casal.
Como lidar com os impactos no trabalho
Para os pacientes em tratamentos de fertilidade, o ambiente de trabalho pode se tornar uma fonte adicional de estresse. O medo de julgamento por colegas, a necessidade de justificar ausências frequentes e a preocupação em equilibrar demandas profissionais e pessoais podem ser um peso significativo.
Aqui estão algumas estratégias para minimizar os impactos no ambiente profissional:
- Transparência seletiva: Considere compartilhar informações sobre o tratamento com seu empregador ou um superior direto, se sentir-se confortável. Isso pode ajudar a criar um ambiente mais compreensivo e flexível.
- Organização e planejamento: Sempre que possível, agende consultas médicas em horários que minimizem as interrupções no trabalho. Adote ferramentas de gestão de tempo para equilibrar suas responsabilidades.
- Solicite apoio: Caso o estresse se torne insuportável, avalie a possibilidade de solicitar uma licença médica ou trabalhar remotamente, se aplicável.
- Limite sua autocrítica: Lembre-se de que priorizar sua saúde e bem-estar não é egoísmo, mas uma necessidade legítima.
O impacto nas relações familiares
No núcleo familiar, os tratamentos de fertilidade podem provocar um misto de emoções, que vão do otimismo à frustração. Casais podem sentir a pressão de “dar certo”, enquanto familiares e amigos, embora bem-intencionados, nem sempre sabem como oferecer apoio de forma apropriada.
Para lidar com esses desafios, considere as seguintes práticas:
- Mantenha a comunicação aberta: Conversar sobre medos, expectativas e frustrações com seu parceiro(a) é essencial para criar um ambiente de apoio mútuo.
- Estabeleça limites com familiares e amigos: É importante comunicar até onde você se sente confortável em compartilhar detalhes sobre o processo. Respeite seu tempo e espaço.
- Busque apoio psicológico: Acompanhamento profissional, como terapia individual ou de casal, pode ser fundamental para gerenciar o impacto emocional do tratamento.
- Celebre pequenos momentos: Reconheça os avanços e crie oportunidades para aliviar a tensão, como passeios ou atividades relaxantes.
A importância de suporte especializado
O estudo da FM-ABC reforça a necessidade de incluir o suporte emocional como parte integrante dos tratamentos de fertilidade. Os profissionais de saúde devem estar atentos às dinâmicas de trabalho e familiares dos pacientes, ajudando-os a identificar estratégias práticas para enfrentar esses desafios.
Além disso, programas de apoio psicológico focados em reprodução assistida podem ser extremamente benéficos. Eles oferecem ferramentas para lidar com o estresse, a ansiedade e os conflitos que surgem durante o processo, fortalecendo tanto os pacientes quanto suas relações familiares.
Conclusão: enfrentando a jornada com equilíbrio
Os tratamentos de fertilidade são uma jornada transformadora, mas que exige resiliência emocional, paciência e, acima de tudo, apoio. Reconhecer os desafios que surgem no ambiente de trabalho e nas relações familiares é um passo essencial para lidar com o impacto desse processo de maneira saudável.
Se você está enfrentando essa jornada, lembre-se: você não está sozinho(a). Busque apoio de sua equipe médica, considere orientação psicológica e não tenha medo de pedir ajuda ao seu círculo de convivência. Com estratégias adequadas, é possível enfrentar os desafios e transformar essa experiência em um caminho de aprendizado, fortalecimento e, acima de tudo, esperança. 💙

Saúde intestinal e fertilidade: entenda essa complexa conexão
A saúde intestinal vem ocupando um lugar de destaque nas pesquisas médicas devido ao impacto significativo que exerce em diversas funções do organismo, incluindo a imunidade, o metabolismo e, surpreendentemente, a fertilidade. Esse é um tema que desperta cada vez mais o interesse de especialistas em saúde reprodutiva e endocrinologistas, pois evidencia como o equilíbrio do microbioma intestinal é essencial para o bom funcionamento do corpo humano.
O papel do microbioma intestinal na regulação hormonal
O microbioma intestinal é composto por trilhões de bactérias e outros microrganismos que habitam nosso trato gastrointestinal. Essa comunidade microscópica tem uma influência direta na regulação hormonal. Uma das suas principais funções é auxiliar no metabolismo de hormônios essenciais, como o estrogênio.
Quando o microbioma está em equilíbrio, as bactérias benéficas ajudam a metabolizar e excretar os hormônios de maneira eficiente. Por outro lado, um desequilíbrio na flora intestinal — condição chamada de disbiose — pode levar ao acúmulo de estrogênio ou à redução de seus níveis, resultando em alterações hormonais que afetam diretamente a saúde reprodutiva.
O eixo intestino-ovário: uma conexão crítica
O conceito de eixo intestino-ovário descreve como o intestino e os ovários estão interligados por meio de interações hormonais e imunológicas. Estudos recentes demonstram que desequilíbrios no microbioma intestinal podem contribuir para condições como a síndrome do ovário policístico (SOP) e a endometriose, que estão entre as principais causas de infertilidade feminina.
Como o intestino metaboliza hormônios
O intestino desempenha um papel vital no metabolismo de hormônios através do que é conhecido como “estroboloma”, o conjunto de bactérias intestinais que metabolizam o estrogênio. Um estroboloma equilibrado garante a eliminação adequada do excesso de estrogênio, prevenindo condições como o hiperestrogenismo, que pode levar à formação de miomas e à irregularidade menstrual.
Síndrome do Ovário Policístico (SOP)
A disbiose está frequentemente associada à inflamação crônica de baixo grau, que é um dos mecanismos subjacentes da SOP. Além disso, a resistência à insulina, também comum na SOP, pode ser agravada por um microbioma desequilibrado, criando um círculo vicioso que prejudica ainda mais a fertilidade.
Inflamação sistêmica e infertilidade
A inflamação é outro elo importante na conexão entre a saúde intestinal e a fertilidade. Um microbioma desregulado pode estimular respostas inflamatórias excessivas no organismo, afetando tecidos reprodutivos e reduzindo as chances de gravidez.
Endometriose e papel do microbioma
Na endometriose, uma condição caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero, a inflamação desempenha um papel fundamental. Estudos sugerem que a disbiose pode agravar a progressão da doença, aumentando a dor e dificultando a concepção.
Estratégias para melhorar a saúde intestinal e otimizar a fertilidade
A boa notícia é que existem medidas eficazes para restaurar o equilíbrio do microbioma intestinal e, consequentemente, melhorar a fertilidade. Veja algumas estratégias:
- Adote uma dieta rica em fibras: Alimentos como frutas, legumes e cereais integrais alimentam as bactérias benéficas no intestino.
- Inclua alimentos fermentados: Iogurte, kefir e kimchi contêm probióticos que ajudam a equilibrar o microbioma.
- Considere suplementos de probióticos: Consulte um especialista para avaliar a necessidade de suplementação.
- Evite alimentos ultraprocessados: Esses alimentos podem contribuir para a disbiose e aumentar a inflamação.
- Controle o estresse: Altos níveis de estresse podem prejudicar o microbioma e afetar a regulação hormonal.
Ao compreender a conexão entre a saúde intestinal e a fertilidade, fica evidente que cuidar do microbioma é essencial para quem busca otimizar as chances de uma gravidez saudável. A relação entre o intestino e o sistema reprodutivo é um exemplo fascinante de como diferentes sistemas do corpo humano trabalham em conjunto para manter o equilíbrio e a saúde.
Promover o bem-estar intestinal não só melhora a saúde geral, mas também abre caminho para soluções mais eficazes no tratamento da infertilidade. Para isso, é fundamental adotar um estilo de vida saudável, manter uma dieta equilibrada e, sempre que necessário, buscar orientação de profissionais especializados.
Invista na saúde do seu intestino e colha os benefícios em todos os aspectos da sua vida — incluindo a realização do sonho da maternidade.

Hidrossalpinge: conheça a condição que afeta a saúde das trompas uterinas
Quando falamos sobre saúde reprodutiva feminina, órgãos como o útero e os ovários geralmente recebem maior atenção. No entanto, as trompas de falópio – ou tubas uterinas – desempenham um papel crucial no processo de concepção. Elas são responsáveis por transportar o óvulo do ovário até o útero e por criar um ambiente favorável para a fertilização. Apesar dessa importância, muitas mulheres não têm consciência dos problemas que podem afetar as trompas, como a hidrossalpinge.
Pouco mencionada nas conversas sobre saúde feminina, a hidrossalpinge é uma condição silenciosa que pode prejudicar a fertilidade e a saúde das trompas uterinas. Entenda o que é, suas causas, sintomas e tratamentos.
O que é hidrossalpinge?
A hidrossalpinge ocorre quando uma ou ambas as trompas de falópio ficam obstruídas e se enchem de líquido. Essa obstrução impede o transporte adequado do óvulo e pode comprometer a fertilização e a implantação do embrião. O líquido acumulado nas trompas também pode ser tóxico para os espermatozoides e embriões, reduzindo ainda mais as chances de gravidez.
A condição geralmente não apresenta sintomas, o que faz com que muitas mulheres só descubram sua existência ao realizar exames de rotina ou em investigações sobre infertilidade.
Causas da hidrossalpinge
A hidrossalpinge é frequentemente associada a condições inflamatórias e infecciosas que afetam a região pélvica. Entre as principais causas estão:
- Doença inflamatória pélvica (DIP): Infecções bacterianas que afetam o útero, trompas e ovários, geralmente causadas por infecções sexualmente transmissíveis, como clamídia e gonorreia.
- Endometriose: Crescimento anormal do tecido endometrial fora do útero, que pode causar inflamação e obstrução das trompas.
- Cirurgias pélvicas ou abdominais: Procedimentos anteriores podem causar aderências ou cicatrizes que obstruem as trompas.
- Tuberculose genital: Em algumas regiões, a tuberculose também pode afetar as trompas uterinas.
- Gravidez ectópica: Uma gravidez que ocorre dentro da trompa pode levar a danos estruturais e obstruções.
Sintomas da hidrossalpinge
Na maioria dos casos, a hidrossalpinge é assintomática, o que dificulta o diagnóstico precoce. Algumas mulheres, no entanto, podem apresentar sintomas como:
- Dor pélvica ou abdominal crônica.
- Secreções vaginais anormais, em casos de infecção associada.
- Dificuldade para engravidar, que é a manifestação mais comum.
Como os sintomas não são específicos, exames de imagem são fundamentais para confirmar o diagnóstico.
Como a hidrossalpinge é diagnosticada?
O diagnóstico geralmente é feito por meio de exames de imagem e procedimentos específicos, como:
- Ultrassonografia transvaginal: Pode revelar a presença de líquido nas trompas.
- Histerossalpingografia (HSG): Um exame de raio-X que avalia a permeabilidade das trompas uterinas.
- Laparoscopia: Um procedimento minimamente invasivo que permite a visualização direta das trompas e outras estruturas pélvicas.
Impacto na fertilidade
A hidrossalpinge é uma das principais causas de infertilidade tubária, já que a obstrução impede a passagem do óvulo e pode afetar negativamente o ambiente reprodutivo. Mesmo quando apenas uma trompa está afetada, o líquido a cumulado pode escorrer para o útero e interferir na implantação do embrião, reduzindo as chances de uma gravidez bem-sucedida.
Para mulheres que desejam engravidar, o tratamento da hidrossalpinge é essencial, especialmente antes de procedimentos como a fertilização in vitro (FIV).
Tratamentos para hidrossalpinge
O tratamento depende da gravidade da condição e do desejo reprodutivo da paciente. As opções incluem:
- Cirurgia laparoscópica: É possível remover a trompa afetada (salpingectomia) ou tentar repará-la, dependendo do grau de dano.
- Fertilização in vitro (FIV): Mulheres com hidrossalpinge frequentemente recorrem à FIV, especialmente se a condição afetar ambas as trompas. Nesse caso, a remoção da trompa antes da FIV pode aumentar as chances de sucesso.
- Antibióticos: Quando a hidrossalpinge está associada a infecções, o uso de medicamentos pode ser necessário.
Prevenção da hidrossalpinge
Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de desenvolver a hidrossalpinge:
- Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs): O uso de preservativos é fundamental para evitar doenças como clamídia e gonorreia.
- Tratamento precoce de infecções: Procurar atendimento médico assim que surgirem sintomas de infecção pélvica pode prevenir complicações.
- Cuidados pós-cirúrgicos: Após cirurgias abdominais ou pélvicas, seguir as orientações médicas reduz o risco de aderências.
Podemos concluir que a hidrossalpinge é uma condição que, apesar de silenciosa, pode ter impactos significativos na fertilidade e na saúde reprodutiva das mulheres. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para minimizar as complicações e possibilitar a realização do sonho da maternidade.
Se você está enfrentando dificuldades para engravidar ou deseja saber mais sobre sua saúde reprodutiva, a Clínica de Reprodução Humana do Mater Dei está aqui para oferecer suporte completo e especializado.

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